Palco das escolas de Atibaia vira arena de debate ecológico por meio do silêncio e expressão corporal

Espetáculo "Pasqualino e a Natureza" utiliza linguagem do cinema mudo e da palhaçaria para discutir sustentabilidade com mais de mil alunos da rede municipal

Palco das escolas de Atibaia vira arena de debate ecológico por meio do silêncio e expressão corporal

O silêncio e a expressão corporal ganharam o status de ferramentas pedagógicas na rede municipal de ensino de Atibaia, na última semana. Longe do formato tradicional de palestras ou cartilhas ecológicas, a Secretaria de Educação local recorreu à mímica, ao teatro físico e à palhaçaria para introduzir debates sobre sustentabilidade e preservação ambiental no cotidiano dos estudantes. 

O veículo para essa abordagem é o Circuito de Teatro Infantil Ambiental, que trouxe às escolas o espetáculo Pasqualino e a Natureza. Produzida pela Cia. Lúdica, a peça aboliu completamente o uso de palavras no palco. No enredo, o herói desajeitado que dá nome à produção enfrenta a "Sombra", uma figura misteriosa que personifica a poluição, o desperdício e a degradação da fauna e da flora. 

A temporada no município atende a um público expressivo. As apresentações tiveram início na segunda-feira, 25/5, na Escola Municipal Doutor José Aparecido Ferreira Franco, no Jardim Brasil, alcançando 651 alunos em sessões nos períodos da manhã e da tarde. Na terça-feira, 26, o circuito foi transferido para o auditório do Centro Integrado de Educação Municipal (CIEM) II - Professor Doutor Orlando Gigliotti, no Jardim Imperial, mobilizando outros 507 estudantes. Ao todo, a iniciativa impacta 1.158 alunos da rede. 

Inversão de expectativas e pegada ecológica 

A montagem, que conta com roteiro de Paulo Drumond e direção artística de Marcya Harco - que também interpreta o protagonista -, propõe uma quebra de padrões tradicionais do teatro infantil. Tanto o herói (Pasqualino) quanto a vilã (A Sombra, vivida por Érica Franze ou Camila Donadão) são interpretados por mulheres, uma escolha estética voltada a descentralizar os papéis de gênero convencionais nas narrativas voltadas às crianças. 

Além da proposta artística, a circulação do projeto - financiada pela Neoenergia por meio da Lei Rouanet, com passagens também por Franco da Rocha, Caieiras e Francisco Morato - tenta alinhar o discurso do palco aos bastidores operacionais. A produção detém o selo de "Evento Neutro", o que significa que o impacto ambiental decorrente do transporte de cenários, deslocamento de equipe e consumo de energia elétrica é integralmente mensurado e compensado por meio de créditos de carbono convertidos em projetos de reflorestamento. 

Inclusão no centro da pauta 

O desenho logístico do espetáculo também foi estruturado para atender aos parâmetros de acessibilidade universal. Diferente de produções que restringem as ferramentas de inclusão a sessões específicas, as apresentações do circuito contam permanentemente com intérpretes de Libras, sistemas de audiodescrição para estudantes cegos ou com baixa visão, programas impressos em Braille e monitoria dedicada ao acolhimento de alunos neurodivergentes. 

Segundo a Secretaria de Educação de Atibaia, a inserção da linguagem artística cumpre uma função complementar à grade curricular regular, operando na fixação de temas urgentes como o manejo correto de resíduos sólidos e a conservação de recursos hídricos. As exibições são restritas ao corpo discente e docente das unidades de ensino selecionadas.

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